Arquivo mensal: outubro 2017

Ser tecnológico e ter os melhores softwares não fazem da sua empresa uma organização digital e pronta para conversar com o mercado

Todas as empresas – principalmente as mais tradicionais – querem ser digital. O primeiro passo, contudo, é entender verdadeiramente o que isto significa. Mas antes mesmo de entrar nesse ponto, eu gostaria de levantar uma questão que influencia diretamente sobre isso: você já ouvir falar de auto sabotagem?

Auto sabotagem é o que nós, gestores ou profissionais de marketing, acabamos fazendo em algum ou muitos momentos da nossa carreira com nossos projetos. Como isso acontece? Deixando de acompanhar, ou quiçá refletir, sobre as principais mudanças que andam acontecendo dentro e fora das organizações. Nos sabotamos sem perceber e isto pode estar matando não só nossa carreira, mas também nossa empresa.

Mas como identificar a auto sabotagem? E mais importante ainda: como impedir que ela se espalhe?

O primeiro sintoma a ser observado é a sensação e o questionamento sobre se o que estamos fazendo está – ou não – dando resultados para a empresa em que/para quem trabalhamos. Sorte a sua se você conseguiu notar esse sintoma, pois a realidade é bem diferente.

Um estudo global da Oxford Economics aponta que apenas 16% das empresas se sentem preparadas para entregar resultados em meio a incontestável era digital em que o mundo vive (não é mais tendência, trata-se de uma realidade!).

É chegada a hora de parar de se opor ao novo e começar a compreender os inevitáveis desafios de tornarmos definitivamente rentáveis nossos negócios ​​no futuro (ou seria no presente?). O marketing já se transformou e os Millennials são, desta vez, os principais responsáveis.

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Eles representam 30% da população (pessoas com 18 a 34 anos) e em 2025 serão 75% da força de trabalho, logo os Millennials influenciam não só a cultura da empresa onde trabalham, mas também o seu jeito de ser (Você deveria contratar seus próximos colaboradores por suas habilidades ou por seu modo de pensar?).

Observar como eles se comportam te ajudará não somente a vender para eles, mas principalmente como trabalhar com eles, afinal, dentro da sua empresa serão eles – isso se já não forem – os próximos líderes e colaboradores. É aí que mora também uma vantagem competitiva, caso você saiba como utilizá-la a favor da sua empresa.

E por falar em trabalhar com eles, você já parou para pensar sobre o quanto a cultura da sua empresa determina a velocidade ou jeito com a qual as coisas acontecem?

Se você ainda não fez estes questionamentos, ou não entendeu as mudanças e que isto impacta na gestão da comunicação com seus clientes, é hora de começar a se mover nessa direção. Para se manter competitivo, você precisa ser capaz de se comunicar com seus clientes onde e como quiserem – de forma personalizada, relevante, contextualizada, rápida e de forma escalável. Certamente não é algo fácil, mas que pode ser feito com as ferramentas e as pessoas certas.

Este modo de pensar é denominado digital-first e é sobre isso que falarei no próximo tópico.

Okay, entendi que preciso mudar, mas como faço para ser digital-first?

Ser digital é entender que o digital não é apenas um canal de comunicação, mas sim a ruptura cultural em si e que isso carrega uma série de significados e ações.

Observe as principais queixas e ilusões de uma empresa que ainda não entendeu o que é ser digital:

  • Investi em novas ferramentas digitais, mas minha equipe se recusou ou deixou de usá-las;
  • Não sei como atrair e reter os talentos certos para minha empresa;
  • Utilizo os meios digitais única e exclusivamente para fazer publicidade;
  • Acredito que a quantidade de fãs no Facebook é um fator de sucesso;
  • Não tenho uma comunicação rica e com conexões verdadeiras;
  • Acho que o site é um projeto que tem começo meio e fim, e não um organismo vivo;
  • Para mim, ser digital é estar na internet.

Todas essas queixas e ilusões têm a mesma raiz: o negócio em questão adotou a tecnologia digital, mas não conseguiu adotar uma cultura digital. Logo, empresas que se recusam a estabelecer coerentemente a construção de uma cultura digital-first assumem o risco de falhar em suas transformações digitais.

Ser tecnológico e ter os melhores softwares não fazem da sua empresa uma organização digital e pronta para conversar com o mercado – e com os Millennials, por exemplo.

$rvarsn9p1jvoaulxA verdadeira cultura digital é a amálgama de liderança, valores, comportamentos e experiências que ajudam uma organização valer-se ao máximo das oportunidades criadas pelo digital. Em resumo, veja o que faz de uma empresa uma organização digital:

  1. Proatividade na tomada de decisões: significa tomar decisões baseadas em inteligência, que entreguem conteúdo e experiências personalizadas e relevantes para o cliente;
  2. Interatividade contextual: analisar como seu consumidor está interagindo com sua marca e, ao fazer a constante observação, modificar essas interações para melhorar a experiência dele com você;
  3. Automação em tempo real: entregar para ele de forma escalável e personalizada aquilo que ele precisa e no momento em que ele deseja. O princípio aqui é ser relevante e ajudá-los a resolver seus problemas independentemente do canal, hora ou dispositivo.

Nos próximos tópicos darei mais pistas de como fazer essa transição na prática.

O que você pode e precisa fazer para mudar isto?

O ponto de partida sempre foi pessoas e valores. Isso ocorre porque a tecnologia em si não constrói uma cultura – somente os seres humanos são capazes disso; ela pode inclusive mascarar um problema.

É muito mais fácil se apossar de inovações tecnológicas na esperança de estar atualizado do que garantir que todos na sua empresa pensem de forma diferente e resultados diferentes comecem a aparecer. Logo, por essa razão, ter consciência é o primeiro passo.Quais são as ações para iniciar imediatamente essa transformação?

É somente construindo, sustentando e reforçando uma cultura digital que você pode resolver os problemas organizacionais que emergirão na transformação para o mundo digital. Contudo, seguem algumas ideias que podem fornecer uma luz para o seu começo:

  • Promova uma cultura de colaboração;
  • Promova uma cultura de agilidade e interação horizontal;
  • Promova uma cultura que faz do digital o padrão;
  • Promova uma cultura de inovação;
  • Promova uma cultura orientada à serviço.

Como convencer o meu time e a minha empresa de que é a hora de mudar?

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Mais do que convencer, é preciso conquistar. As pessoas só fazem bem aquilo que faz sentido para elas. Ao invés de esperar que o seu time reaja às suas provocações de mudança – ou até mesmo continuar reclamando sobre o quanto eles não aderem às suas ideias, tome a iniciativa e responda às seguintes perguntas você mesmo:

  • Como a minha visão e a de meus executivos e gestores muda a forma como os demais colaboradores da empresa trabalham?
  • Que barreiras impedem eles e você de mudarem?
  • O que vocês precisarão fazer para superar essas barreiras?

Diante das respostas – ainda que preliminares, você deve entender que o tempo é a chave. É fomentando e incentivando seu time a experimentar, discutir e inovar que você começa a deixar o terreno fértil para a cultura digital florescer.

Por muito tempo nós buscamos incessantemente a eficiência – vestígios da economia da era industrial, e esse modelo, sozinho, não é sustentável, pois não promove inovação; ela requer espaço e liberdade, duas coisas que frequentemente faltam em empresas tradicionais, ditas modernizadas.

Se você deseja fomentar a cultura da inovação, sua empresa precisará criar um ambiente fértil para o surgimento de novas ideias e permitir-se errar (inclusive, deixo a indicação do livro “Lean Startup Enxuta”).

Como sei que não estou com uma visão míope sobre o meu próprio mercado ou profissão?

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Reconheça-se como limitado. O primeiro passo é admitir que quanto mais envolvido você estiver na sua operação de marketing, mais cego você será sobre o que realmente funciona.

Mas como posso não estar envolvido com a operação? A questão não é estar, mas sim o quanto você deixa de buscar inovação e pensar estrategicamente. Analise se você já se viu em alguma das situações abaixo:

  • Excesso de atividades e falta de braços para ajudá-lo a dar vazão aos projetos;
  • Falta de sintonia entre sua área e o comercial da empresa;
  • Não conseguir ter uma visão macro dos projetos e como eles se conectam;
  • Realiza ações, mas não sabe como provar os resultados para a diretoria (ROI);
  • Se vê em inúmeras reuniões diariamente e precisa reportar diversas áreas, mas não enxerga (ou não percebe) a efetividade delas;
  • Não tem tempo para buscar inovações e estudar formal, ou informalmente, sobre o que realmente há de novo;
  • Sua empresa tem um pensamento muito tradicional e tem medo de se aventurar no novo;
  • Executa há anos as mesmas ações e campanhas de marketing esperando por resultados melhores – o chamado marketing de esperança.

Seja qual ou quais sejam as situações ou problemas que você enfrenta, romper essa barreira não é uma tarefa simples e não o culpo por isso, porém, pergunte-se qual é custo por não inovar ou deixar de se atualizar.

Onde e como encontrar a informação que me fará ser realmente aberto ao novo e como não voltar a cair nessa armadilha?

Questione os players! Busque gente de fora do seu mercado, engaje com eles, faça perguntas, participe de eventos (que não sejam apenas os do seu mercado) e sempre termine todas suas atividades com um questionamento: há alguma forma mais recente e inovadora de fazer o que acabei de entregar?

Não faça auto sabotagem e crie senso de urgência para aquilo que realmente importa. Prolongar decisões e postergar projetos só aumentará o distanciamento entre a sua empresa e os seu concorrentes.

E para não cair nessa armadilha novamente crie processos que te permitam beber constantemente das fontes de inovação. O maior risco que uma empresa pode cometer ao não entender essa realidade é tentar conversar com um público que não existe mais – em  um mundo que ficou no passado.

Ser digital first é mais que estar na internet. É entender que clientes, mercado, empresas, e você mesmo, estão em constante transformação e se preparar para melhor abraçar esse movimento.

Não pretendo instaurar o medo com esse artigo, mas sim deixar uma provocação de que essa mudança não pode ser delegada – precisará partir de você e agora.

 

Fonte: https://app.rdstation.com.br/mail/91d55c28-8785-4a0c b394-6fc7f32d60d0?utm_campaign=o_que_significa_ser_digital_para_voce_sua_empresa_esta_preparada_para_isso_toda_base&utm_medium=email&utm_source=RD+Station
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Cumplicidade silenciosa

O silêncio é uma atitude e nos torna cúmplices de uma realidade tóxica de assédio e abuso de mulheres

Não existe ausência de posição. Na linha de frente, atrás das cortinas ou em cima do muro, todo tempo assumimos lugares de atitude e fala. A todo momento, quando escolhemos virar a cara, fingir não ver, atravessar a rua, fechar ou abrir os olhos, manifestamos o que pensamos em relação ao que vivemos todos os dias.

O futuro do mundo, do nosso mundo, é decidido a cada segundo, toda vez que optamos por participar ou não das pequenas e grandes discussões que vamos vivendo ou encontrando pelo caminho.

Reconhecido ou não, o assédio sexual e o abuso já eram uma realidade na relação entre senhores e suas escravas no Império Romano e continuaram sendo quando a força de trabalho da mulher começou a ser explorada em maior escala durante a revolução industrial na segunda metade do século 18.

Apesar disso, o assunto só se tornou tema jurídico em 1979, quando a advogada e feminista Catherine Mackinnon publicou o artigo “Assédio sexual de mulheres trabalhadoras” onde ela propunha que fosse tratado como discriminação sexual.

Quase quatro décadas depois, grande parte das legislações específicas que foram sendo criadas e implementadas sobre o assunto continua sendo ineficiente e o assédio sexual continua tratado como tabu nos corredores de diferentes corporações, em diferentes indústrias, no mundo todo. Na publicidade não é diferente. Até este momento, apesar da imensa quantidade de casos que crescemos vivendo ou presenciando, ainda insistimos em repetir frases simplificadoras que tentam desconsiderar ou diminuir o problema.

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), indicam que 52% das mulheres economicamente ativas já sofreram assédio sexual, isso não é pouca coisa e não falar do assunto não faz com que a o dado desapareça. Mantermo-nos indiferentes no papel do vizinho que prefere não se manifestar enquanto ouve os gritos no apartamento ao lado, nos torna cúmplices do constrangimento, da humilhação, da dor que, se nunca nos alcançou pessoalmente, já atingiu e continua atingindo mais da metade das mulheres de nossas famílias e daquelas que conhecemos e frequentam nossas casas diariamente.

Protegidos pelo disfarce tanto de personagens divertidos, sem má intenção, brincalhões e piadistas quanto pelo disfarce de personagens atenciosos e paternais, assediadores se escondem na sombra da indiferença coletiva, se mantêm graças a legislações frágeis e se alimentam do medo e da culpa que fragiliza e silencia mulheres que, na maior parte das vezes, preferem não contar suas histórias nem mesmo em seus círculos familiares mais íntimos, onde sempre pode existir alguém, homem ou mulher,  capaz de tirar da manga frases como “engraçado, isso nunca aconteceu comigo” ou “será que você não entendeu errado?”

É verdade, toda essa discussão gera muitos desconfortos, se não fosse verdade, não estaríamos falando disso até hoje, quase 40 anos depois da primeira tentativa de tornar o assunto público e reconhecido como uma questão passível de punição legal. É verdade, assediadores muitas vezes são charmosos, talentosos, inteligentes, bem-sucedidos, poderosos, mas nada disso muda nada. Talentosos, inteligentes, bem-sucedidos, poderosos ou não, assediadores são insensíveis ao outro, egoístas, cruéis.

Esta semana, quando Cindy Gallop, uma das publicitárias símbolo da defesa da diversidade no mundo da publicidade, escreveu: “tenho sido muitas vezes procurada, ao longo dos anos, por mulheres que sofreram assédio sexual em nossa indústria. Estimulei todas elas a contar suas histórias publicamente e me ofereci para apresentá-las aos meus amigos repórteres e editores. Historicamente, as mulheres têm relutado em falar e revelar nomes. Estou esperando que o clima atual mude isso porque a realidade não vai mudar até que mulheres corajosas estejam dispostas a falar e acabar com os Harvey Weinsteins da nossa indústria de uma vez por todas” e convidou mulheres a revelar nomes e lhe enviar por e-mail suas histórias, ela colocou em pauta um dos pontos- chave da preservação de comportamentos hostis: o silêncio e não apenas o silêncio das vítimas.

O silêncio que está em pauta é também o silêncio de quem observa, presencia, toma conhecimento ou consciência. O silêncio que é uma atitude e nos torna cúmplices de uma realidade tóxica que tem reflexo na saúde das corporações e, consequentemente, na saúde das famílias e da sociedade. Se a expressão assédio e abuso de mulheres te parece pouco significativa, sugiro que você substitua mulheres por esposas, mães, filhas, irmãs, amigas. Aquelas que não são poucas, não são fracas, não são burras, não são mal-humoradas, não são mimimi, nem sempre são feministas, mas sempre, todas as vezes, são vítimas. A hora é agora e cada um de nós, tem à sua frente várias escolhas, entre elas, a escolha de assumir a palavra. Você tem alguma coisa a dizer?

Fonte: http://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2017/10/30/cumplicidade-silenciosa.html

Dois é bom, pouco ou demais?

Entidade intrínseca à história da publicidade, as duplas passaram a dividir os holofotes com outros modelos criativos – mas sem perder a ternura

A edição mais recente da revista Shot contou com a colaboração de profissionais da J. Walter Thompson de Londres e Nova York, como editores convidados. Em uma das reportagens produzidas exclusivamente para a publicação britânica, cem duplas de criativos foram entrevistadas para uma pesquisa. O objetivo: identificar os valores que consolidam a união de parcerias bem-sucedidas, assim como os principais pontos de atrito entre quem, não raramente, passa mais tempo com o colega de trabalho do que com a própria família.

Alguns resultados são curiosos. A proximidade física com o parceiro é elemento-chave nessa química: 92% dos entrevistados afirmaram que se sentem mais criativos quando o parceiro está por perto, enquanto 91% ficam mais seguros para defender suas ideias quando estão juntos. Oito em cada dez sentem muita falta quando a cara-metade está distante, e 26% admitiram já terem acidentalmente preparado duas xícaras de café (ou chá!) em dias nos quais sua dupla não está no escritório. Em uma atitude extrema, 53% confiariam suas vidas nas mãos do outro.

Toda relação tem seus percalços e nem todos estão satisfeitos, consciente ou inconscientemente: 43% disseram já terem sonhado que trabalham com outra pessoa e 34% confessaram terem de fato esse desejo, quando estão acordados.

Além do estudo, um especialista em terapia de casais foi convidado para analisar psicodinamicamente duas das duplas mais longevas a prestarem seus serviços para a J. Walter Thompson, uma do escritório de Nova York, e a outra, de Londres. Para manter a confidencialidade que envolve as relações entre médicos e pacientes, foi estabelecido que as anotações e conclusões do psicoterapeuta Raymond Francis só poderiam ser reveladas com a permissão dos participantes.

Ao final do projeto, Francis avaliou que os alicerces fundamentais do sucesso das parcerias criativas estão baseados em: confiança; respeito mútuo; assumir responsabilidades; estar aberto à diversidade de opinião e cultura; comunicar-se abertamente; ter uma atitude positiva; e gerenciar bem os limites.

São ingredientes comuns, convenhamos, a toda receita de sucesso de relacionamentos pessoais não apenas sólidos, mas também saudáveis — seja um casamento, seja uma grande amizade —, em que muitas vezes é preciso concordar em discordar e seguir em frente, mesmo quando a decisão tomada não é a que mais lhe agrada, particularmente. Quando a divergência insiste em dar o tom, transparência e flexibilidade funcionam como fiadores do vínculo.

As duplas são uma entidade da indústria criativa há seis décadas, desde que Bill Bernbach, um dos fundadores da DDB, uniu redator e diretor de arte em equipes. Certamente estarão em cena por muitos anos ainda, mas a eficiência de tal modelo tem encontrado críticos em maior número, recentemente. Afinal, a dinâmica de trabalho atual nas agências ostenta poucas semelhanças com os anos 1950 — ou, ao menos, deveria.

Fonte: http://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2017/10/30/dois-e-bom-pouco-ou-demais.html

 

Galeria do Rock vira canal de mídia

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Um dos locais mais icônicos do centro de São Paulo, a Galeria do Rock também será um ponto de mídia. A Contato Brasil venceu uma concorrência para explorar pontos de publicidade out-of-home nos espaços das lojas e corredores do espaço, chamado Centro Comercial Grandes Galerias.

Inicialmente, o projeto de comunicação elaborado pela Contato Brasil abrange oito tipos de ativos além da possibilidade de execução de projetos especiais. Serão negociados os espaços publicitários da fachada, portas de elevadores, escadas rolantes, banners, painéis e esteiras. Projetada na década de 50, a Galeria do Rock recebe um público médio de 200 mil pessoas por mês.

Fonte: http://www.meioemensagem.com.br/home/ultimas-noticias/2017/10/30/galeria-do-rock-vira-midia.html
 

Com Amor, Van Gogh

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Com Amor, Van Gogh foi um filme que deve muito de seu boca a boca pelas redes sociais, o projeto viralizou na internet após um trailer realizado ainda com o longa em período de produção. Ali já foi sabido por todos que haveria uma animação realizada apenas com tinturas a óleo, o primeiro longa-metragem realizado inteiramente com essas telas. Após anos de espera, o filme pode ser visto e chega com certo badalo na Mostra Internacional de São Paulo, afinal todo mundo queria ver a biografia de van Gogh contada dessa forma bastante peculiar.

Dessa forma, a primeira grande curiosidade do filme cerca justamente essa questão prática e técnica, como uma animação realizada a partir de telas pintadas a óleo se comportam no cinema? O visual inspirado no trabalho do pintor funciona para chamar atenção como também tem seu grande impulso criativo. Com Amor, Van Gogh torna-se então um daqueles casos que entra em cena com certa vantagem, já ganhando pela curiosidade e por sua peculiaridade, como se de alguma forma pulasse algumas regras do jogo entre público e obra.

Dorota Kobiela e Hugh Welchman, diretores e roteiristas do longa, em parte se aproveitam dessa questão, mas também acabam se rendendo ao calor da novidade que seu filme representa. Com Amor, Van Gogh deixa sempre aparente seu estilo, fazendo com que a animação realizada através de milhares de quadros pintados a óleo seja parte fundamental da narrativa. A biografia de Vincent van Gogh passa a ser realizada a partir da própria representação do mundo do artista, utilizando suas obras para constituir o design dos personagens e o estilo dos cenários. Cada figura que entra em cena, ou ambiente em que as ações se desenrolam são baseadas e mimetizadas em alguma obra conhecida do pintor holandês. Como o retrato de Joseph Roulin,o retrato de Pierre Tanguy, ou mademoiselle Gachet no piano.

Com Amor, Van Gogh tem claramente um sentimento de conhecer o artista, denominado por muitos como o pai da arte moderna. Dessa forma, o filme torna-se um passeio pela vida e obra do artista, se visualmente é reconhecido o trabalho do pintor, a sua vida é narrada literalmente pelo roteiro. O longa conta história através de outro personagem, Armand Roulin, filho do carteiro responsável pela correspondência entre Vincent e Theo van Gogh, o rapaz fica encarregado de entregar uma última carta entre os irmãos, naquele momento ambos já falecidos. O protagonista, assim como público, vai entrando na vida do pintor, descobrindo a cada cidade que passa e a cada encontro que vive mais uma faceta de Vincent van Gogh, os personagens do filme recontam as passagens do artista, fazendo uma viagem por sua biografia. Uma tentativa de sair do lugar comum e representar essa história sem realizar uma reconstituição da vida de um homem, ressaltando esse sentimento de descoberta em relação a um grande nome das artes.

Há então um valor quase educativo em Com Amor, Van Gogh, óbvio que o drama é evidenciado no roteiro e os conflitos são extremamente presentes, mas esse sentimento de conhecer van Gogh ressalta a experiência do filme. Assim, arma-se uma estratégia narrativa bem clara, o encontro desse personagem principal com outras figuras faz com que o filme entre em flashbacks contando a trajetória do pintor, quanto mais sabe, mais Roulin deseja ter todas as informações e respostas sobre van Gogh, onde os flashbacks praticamente ganham o mesmo tempo de tela que a narrativa principal, como se chegasse a uma descoberta por inteiro.

Essa artimanha narrativa pode cansar ao longo do filme, como se o espectador soubesse que há uma rotina muito clara dentro daquela obra, o garoto vai encontrar um outro personagem que contará sobre van Gogh, que o levará a outra figura que dará mais detalhes sobre o artista e assim por diante. As estratégias às vezes ficam muito aparentes, como o constante atraso no encontro com Doutor Gachet, que teria as respostas imediatas para as perguntas de Roulin, algo que parece uma necessidade para não terminar de uma vez com a narrativa, deixando evidente esse artifício narrativo. Todavia, se isso pode incomodar, de fato Com Amor, Van Gogh conquista nesse desejo de conhecer mais, a narrativa pode ser um tanto quanto fácil, mas essa jornada biográfica a van Gogh resulta num filme que vai além de sua técnica.

Com Amor, Van Gogh faz com que os flashbacks sejam em preto e branco, em passagens rápidas, sem diálogos entre os personagens, rastros das memórias de terceiros sobre o pintor. Enquanto na narrativa principal do filme encontra-se um rebuscamento nas imagens que cria, o espectador vê justamente obras de van Gogh ganhando vida, movimento, ressaltando a forma como a animação foi realizada. O longa ganha um aspecto em que o tempo consegue ser visto, como se as alterações de luz que van Gogh tanto se interessou se manifestassem diante do espectador. Isso porque a pincelada está sempre em movimento, porque traços de um quadro para outro mantém alguma diferença, deixando o longa inteiro em movimento.

O filme faz questão de deixar claro que há ali uma visão estética e bem trabalhada, não uma simples animação através de uma dificultosa técnica. Com Amor, Van Gogh faz questão de colocar movimentos de câmera, uma utilização de travellings, panorâmicas, para realmente mostrar toda sua capacidade técnica. Pensa cada transição entre narrativa e flashback para combinar o preto e branco da vida do pintor, com a investigação colorida deixada por van Gogh em seu trabalho pictórico. Um filme que certamente se rende a sua técnica, deixando-a em primeiro plano, mas fazendo com que isso esteja ligado ao íntimo de seu retratado.

Com Amor, Van Gogh é realmente uma experiência, algo que chama atenção pela a forma que foi realizado, e isso é conscientemente colocado. O longa-metragem realizado a partir de uma série de pinturas a óleo consegue fazer mais e realmente conquista por unir essa forma chamativa com a vida e obra de seu retratado, numa homenagem que faz com que se conheça van Gogh através da exuberância de suas pinturas. Com Amor, Van Gogh faz jus a toda sua fama imediata.

Fonte: https://observatoriodocinema.bol.uol.com.br/criticas/2017/10/mostra-sp-critica-com-amor-van-gogh

Precisamos falar dos digital influencers

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A voz das personalidades da web em prol de um maior engajamento entre marcas e consumidores

Engajamento. É provável que esta seja uma das palavras mais ouvidas no marketing do século XXI. Engajar significa que, não basta estarmos onde nossos clientes estão, precisamos nos tornar relevantes para eles. Tudo bem, mas que ações podemos realizar para envolver um determinado público no caldeirão do universo online? Há muitas possibilidades, dentre elas, me parece interessante comentar sobre o impacto dos influenciadores digitais na construção de relações entre marcas e consumidores.

A figura do digital influencer viu sua importância crescer em especial na última década. Para indivíduos da Geração Z (que, até 2020, irão compor cerca 20% da mão de obra do planeta, direcionando, ainda mais, as tendências de consumo globais), YouTubers, Blogueiros e Instagramers tem tão ou mais influência que personalidades da TV, Cinema, ou de outros nichos do entretenimento. Uma prova deste poder foi a eleição de Whindersson Nunes como personalidade mais influente do vídeo brasileiro, à frente de nomes como Taís Araújo ou Rodrigo Faro, em pesquisa realizada pela Provokers para o Google e Meio & Mensagem.

Os influenciadores, em conjunto com fatores sociais, culturais e de motivação pessoal, estão entre os principais elementos capazes de direcionar uma decisão de compra e uma maior aproximação entre uma marca e o seu público-alvo. Neste contexto, a força do digital influencer é preponderante e alguns dados corroboram para esta afirmativa. Em pesquisa de 2015, o Governo Brasileiro constatou, por exemplo, que o brasileiro passa mais tempo na internet do que em qualquer outra plataforma midiática. Já de acordo com um estudo da ODM Group, foi constatado que mais 70% dos consumidores analisados na pesquisa utilizam suas redes sociais para guiar decisões de compra.

Com tudo isso, é natural que a voz de um digital influencer adquira um eco muito significativo em um mercado global cada vez mais centrado na ideia da presença omnichannel e no desenvolvimento de estratégias eficientes de engajamento online.

O uso de influenciadores digitais por grandes marcas, aliás, já deu diversas mostras de seu potencial de sucesso. Apenas para elucidar, em 2015, a TIM chegou a atingir os Trending Topics do Twitter após uma transmissão ao vivo da vlogger Kéfera Buchmann em seu canal no YouTube, o 5inco Minutos. Há casos ainda do uso de influenciadores em outras mídias, como no caso da Tresemmé, que optou pela blogueira de moda e beleza, Camila Coelho, para atuar em uma de suas campanhas para TV.

Outro exemplo interessante que reflete o poder destes influenciadores adorados pelas novas gerações se deu no Rock In Rio 2017. O evento, que agitou multidões de roqueiros e de fãs de música pop no mês passado, contou este ano com uma novidade: o palco Digital Stage, dedicado exclusivamente a YouTubers e criadores de conteúdo do ambiente online. Dentre as atrações do espaço, o público pode acompanhar rodas de bate-papo, batalhas de dublagem, quadros de humor e interação em tempo real com os expectadores guiada por headliners, como: Mauricio Meirelles, Felipe Castanhari do Canal Nostalgia, a equipe do Canal Parafernalha e, claro, Whindersson Nunes.

Para se ter uma ideia da influência dos participantes, só Whindersson Nunes conta com mais seguidores (25 milhões) no YouTube do que as principais atrações do palco mundo: Maroon 5 (14 milhões), Guns N’ Roses (3 milhões), Justin Timberlake (6 milhões).

Todos estes dados demonstram o potencial das vozes mais fortes da internet quando inseridas em campanhas eficientes, mas, qual o verdadeiro segredo de uma estratégia de marketing de influenciadores bem-sucedida? Penso que o primeiro e principal ponto consiste em entender que, nem sempre a personalidade com mais seguidores, será a ideal para a sua marca. É fundamental analisar qual das vozes da internet pode desenvolver uma maior identificação com sua marca, propondo campanhas que deem liberdade criativa para o influenciador, de modo que a ação seja espontânea e, de fato, capaz de gerar um engajamento relevante.

Nesta etapa, vale a pena estudar com atenção os diversos perfis que compõem o cosmos de estrelas digitais. Há desde aquelas que atingiram um papel de verdadeiras celebridades, como no próprio caso do Whindersson Nunes, até figuras com voz de autoridade em determinados campos (Iberê Tenório do canal Manual do Mundo) ou que são ativos no debate de causas e pautas da sociedade, mesclando estes temas com questões mais leves do cotidiano (PC Siqueira, Jout Jout). Este estudo será importante tanto para a definição da campanha, quanto para a definição do público que sua marca almeja alcançar.

Finalmente, não deixe de observar se o influenciador que você busca tem alguma afinidade com seu mercado de atuação e, aliado a isso, se ele pode desenvolver estratégias de comunicação que façam sentido para os seus clientes e público-alvo. Sem observar detalhes como estes, a ação pode acabar não atingindo os objetivos esperados e até gerar algum tipo de desgaste nas suas redes.

Para concluir, gostaria de retornar ao ponto inicial deste artigo. Como se sabe, o engajamento é um dos principais objetivos de muitas das estratégias que ganharam força nas últimas décadas no marketing: Marketing de Conteúdo, Social Selling, Love Branding… Todas estas, baseadas, em grande parte, no ambiente online. Neste sentido, nada mais coerente do que desenvolver projetos que envolvam a voz de influenciadores digitais, cujo trabalho é, justamente, conquistar engajamento, no infinito universo da web que nos rodeia por todos os lados.

Fonte: http://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2017/10/26/precisamos-falar-dos-digital-influencers.html

Quando as marcas ignoram a influência da população negra

Campanha publicitária do Personal Vip Black denota falta de repertório dos códigos culturais e de consumo da maioria do País

Nos últimos dias, a marca Personal Vip lançou um produto inusitado e inédito no mercado: um papel higiênico com folhas pretas. Contudo, provavelmente em razão da falta de planejamento estratégico da ação publicitária que desconsiderou os códigos culturais de consumo da população negra, o lançamento do produto foi ofuscado por questionamentos acerca do cunho preconceituoso da campanha, gerando um constrangimento desnecessário, com perdas financeiras e associação da imagem da marca ao racismo.

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O principal erro da marca foi a falta de repertório, pelos criadores da campanha, dos códigos de consumo do grupo étnico que representa a maioria da população brasileira. O Brasil, assim como qualquer outro país com resquícios da colonização escravista, ainda carrega na construção do senso coletivo um imaginário racista.

Logo, o que vimos na campanha são apenas reproduções inconscientes desse senso comum. Infelizmente, como consequência disso, nossa publicidade é viciada e com frequência reproduz elementos de cunho racista, mesmo que não intencionalmente. Então, faltou no planejamento dessa campanha, ou até mesmo como critério de aprovação do conceito, uma análise semiótica de alguém que entendesse os códigos culturais de consumo da população negra.

A população negra foi o grupo que mais ascendeu socialmente nos últimos anos e, consequentemente, a que mais se “empoderou”. Por representar quase 60% da população do País, sua insatisfação tem, ou deveria ter, efeito imediato no posicionamento das marcas. Considerar esse “imaginário negro” deve estar nos alinhamentos estratégicos de posicionamento, pois, mesmo que o público negro não seja o target de uma campanha publicitária, não se pode ignorar a influência afro que o País inteiro tem.

As marcas têm importante papel de influenciadoras culturais e o fato de elas não se atentarem a essas questões as coloca no papel de perpetuadoras de um discurso vergonhoso da história do Brasil.

Quanto ao slogan, a utilização de “Black is Beautiful” na campanha da Santher, criada pela Neogama, não teria problema algum se ela não tivesse juntado alguns outros elementos no mesmo lugar.

O slogan, em outro contexto, teria outra conotação. O problema foi onde se deu e com quais elementos ele foi aplicado. A composição semiótica entre papéis pretos, slogan e aplicação do produto, juntos, produz uma construção racista dentro do consciente coletivo brasileiro.

Parece inofensivo, mas essa simples campanha carrega elementos semióticos que, sem que se detenha um repertório dos códigos de consumo da população negra, passam despercebidos

Ou seja, ao juntar os elementos da cor do papel, a finalidade do produto e arrematar com o slogan, você definitivamente produz uma comunicação com significado racista.

Parece inofensivo, mas essa simples campanha carrega elementos semióticos que, sem que se detenha um repertório dos códigos de consumo da população negra, passam despercebidos, como:

– “Black is Beautiful” foi o slogan do movimento negro americano nos anos 1960, protagonizado pelos Black Panthers, que objetivou, com a ajuda desse mantra, resignificar a construção do “negro” na sociedade através da exaltação de sua beleza, depois de o sistema colonizador ter desempenhado o papel de esvaziamento do consciente e inconsciente dos afrodescendentes.

– No Brasil, a população negra nunca esteve representada nas campanhas de produtos de higiene pessoal. Feche os olhos e tente se lembrar de homem negro ou mulher negra protagonizando uma campanha publicitária dessa categoria. Na consultoria Etnus, estimamos que esse número seja de 0%. Então, de repente, o slogan do movimento negro é atrelado a um produto que limpa a parte que excreta as impurezas do corpo.

– E, por fim, o Brasil tem quase 60% de autodeclarados negros, logo, os códigos de consumo dessa maioria têm que ser respeitados.

Infelizmente, muitas marcas ainda não estão preparadas para lidar com esse novo consumidor, que clama não apenas por representatividade, mas por uma representatividade efetiva e alinhada aos seus códigos culturais. A grande maioria das empresas está perdendo o timing de se conectar com a população que mais ascendeu economicamente nos últimos anos.

Sendo assim, esse case de insucesso mostrou que ignorar os códigos culturais da população negra, predominante no País, produz prejuízos inestimáveis em se tratando de imagem de marca e, ainda, ônus financeiro, já que a Santher e a Neogama anunciaram que acataram as críticas e retirarão o slogan da campanha (leia-se: mais custos/hora de pensamento estratégico, impressão, gestão de crise, social mídia etc). De qualquer forma, graças a esse episódio, elas se juntaram ao hall das empresas que tiveram perdas relacionadas à desconsideração do contexto racial, como já ocorreu com a loja de roupas Maria Filó e, recentemente, com a Dove.

Fonte: http://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2017/10/26/quando-as-marcas-ignoram-a-influencia-da-populacao-negra.html